segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O POTE DE OURO DO JACARANDAZINHO - DA SÉRIE CONTOS VERÍDICOS

O conto "O Pote de ouro do jacarandazinho" é verídico, acontecido lá pelos idos de 1952. E posso garantir que é verdadeiro pois quem teve a gentileza de me contar ainda está vivo gozando de ótima saúde, aliás, essa pessoa, extremamente confiável, tem sido uma preciosa fonte de informações para esse blog. Os irmãos Tóinzinho e Tião e o filho do Juca Bulico, não me recordo do nome agora, são os personagens que vivenciaram esse fenômeno. Hoje são pessoas já idosas mas saudáveis, e graças á Deus, para a alegria dos familiares,  se encontram entre nós, deliciando-nos com sua histórias. 


O senhor Sebastião, um dos protagonistas dessa história.
 
Mas vamos ao relato, os trêz tinham trato de dar uma demão numa empreitada que o João da Ana Cunha tinha tomado do Senhor Alcides(Cidio da Ilza) lá pras bandas do Chapadão. Então, prá não ficarem para tráz dos outros companheiros que viriam de outras bandas, decidiram sair bem cedo, e foi cedo mesmo, mais ou menos três, três e meia da madrugada. Era uma noite bastante escura, tempo chuvoso com aquele sereninho de molhar bobo. O capim nas trilhas crescia á olhos vistos e naquelas bandas era infestado de cobras venenosas, tanto que dias depois desse evento, o jovem Sebastião fora picado por um urutú cruzeiro. Sua mãe, coitada passou de banda pra curar aquela perna que cada vez mais ficava inchada e preta devido ao veneno da serpente. Não tinha doutor não, naqueles tempos era Deus pra curar e os remédios caseiros que as comadres ensinavam. Dona Olímpia curou a perna do filho com clara de ovos que eram colocadas sobre o ferimento. Deixava-se o emplastro agir por algum tempo e quando ficava escuro significava que tinha sugado mais um pouco do veneno. Assim foi até ficar curado e escapar de morrer.

Mas quanto ao nosso causo, o jovem Toinzinho, sendo o mais velho e levando um lampião puxou a fila, e cada um tinha seu embornal com as marmitas de boia. Tomaram a estrada que levava ao Atalho para passar pelas terras do Senhor Ernesto Chaves. Mas antes de chegar na porteira visualizaram uma luz vindo em sua direção, entreolharam-se perguntando quem poderia ser aquela hora?

Foto com o tio Toinzinho, outro protagonista da história.

Achando que fosse alguém da vizinhança continuaram a caminhar, mas quando se aproximaram á uma distancia de mais ou menos cinquenta metros viram que não tinha ninguém segurando aquela luz. Ela estava suspensa á uma altura de um metro do chão, e tinha uma incrível coloração azul.


Ela estava suspensa á uma altura de um metro do chão, e tinha uma incrível coloração azul.


Não se intimidaram, diminuiram o passo mas seguiram ao encontro da estranha aparição. A luz também não parou e cada vêz mais a sua luminosidade clareava as trilhas dando um aspecto fantasmagórico por onde passava. Naqueles instantes o silencio era quebrado apenas pelas respiraçoes e o objeto luminoso quando percebeu que o encontro seria inevitavel mudou a direção pegando a trilha que levava à casa do Nego do Miguel. Nessas alturas os três companheiros pararam para observa-la melhor e viram quando a luz repentinamente deu meia volta e retornou novamente para o lado deles, mas quando chegou na encruzilhada deu uma guinada e entrou no capinzal indo até o tronco de um jacarandazinho há poucos metros da estrada. Ali, tremulando e diminuindo o fulgor da luminosidade, deu várias piruetas de curto diâmetro e penetrou no solo, deixando o local em profunda escuridão.

...deu várias piruetas de curto diâmetro e penetrou no solo.

 
Iluminados apenas pela fraca luz do lampião que teimava em se apagar, os três amigos novamente se entreolharam, e sem dizer uma só palavra, seguiram seu caminho. Hoje em dia o senhor Sebastião, saudoso dos amigos conta essa história e cogita, o que poderia ser aquela luz?! Seria um espírito que enterrou um tesouro ali no pé daquela arvore e queria mostrar para eles?! Arrependido de não ter cavado ali naqueles dias, pergunta se ainda hoje existe aquele jacarandazinho e demonstra sorrindo o desejo de voltar lá. Quem sabe à poucos palmos não estará enterrado um pote cheio de ouro e pedras preciosas?

É amigo Sebastião, talvez pudesse estar hoje enriquecido com essa fortuna, e se pensa resgatá-la, vá depressa, pois o mapa da mina acaba de subir para a nuvem, e certamente aquele local logo estará repleto de caçadores de tesouros, rsss!...

O pote de ouro do jacarandazinho é um conto verídico e foi escrito e ilustrado por Joel Di Oliveira. Proibido cópias e/ou distribuição sem autorizaçaõ de Enigmacom. Todos os direitos reservados.


domingo, 10 de janeiro de 2016

KM 583 DA BR 262 - ONDE A MORTE PEDE CARONA!

Madrugada, ainda escuro e para complicar uma neblina densa dificultava ainda mais a visão na br 262 próximo á Campos Altos. Uma chuvinha fina deixava a pista molhada e escorregadia, por isso eu conduzia meu veículo com velocidade reduzida. Viajavam comigo minha esposa, uma neta de sete anos e uma sobrinha de dez anos. Á minha frente trafegavam dois veículos, um santana prata que trazia engatado um reboque seguido por um gol. Eu vinha á uma distancia de aproximadamente vinte ou trinta metros. Naquela distancia a visão era facilitada pelas lanternas acesas do carro da frente, mas isso não impediu que eu galgasse o paralalepípedo e subisse no canteiro. Fiquei surpreso por ter feito aquilo, e ainda mais naquela baixa velocidade, mas algo estranho estava acontecendo naquele momento.
 
O que vou descrever em seguida é realmente muito estranho, certamente tem a interferência de forças sobrenaturais. Vínhamos os três carros separados apenas pela distancia de segurança, e ao cruzarmos o trevo que leva à Patos de Minas, São Gotardo, meus braços travaram no volante, eu via os carros da frente na pista mas eu não conseguia manter-me em fila, senti no momento uma paralisia nos braços, e aquele momento de exitação me levou a subir no canteiro e parar o veículo. Ficamos ali por uns dois minutos até nos recobrarmos do susto, mas foi tempo suficiente para nos livrar de algo bem pior. Hoje, com calma, agradeço á Deus por sem mais sem menos ter ido parar em cima daquele canteiro. Ao colocar o veículo na pista novamente seguimos viagem, mas o terror estava na pista. Ha mais ou menos trezentos metros adiante 
nos deparamos com um terrível acidente entre uma carreta e o gol que estava á minha frente quando subi o canteiro. Acionei imediatamente o freio mas a pista molhada somente fazia o carro deslizar mais ainda. Sem opção de desvio segurei firme o volante e fui tirando a velocidade do carro até que bati no gol á uma velocidade de quinze ou vinte kms por hora causando um leve impacto, tão leve que meu veículo nem amassou o parachoque, apenas quebrou a lente do farol.

UM CENARIO DANTESCO

O motorista da carreta estava na cabine em estado de choque e o o único ocupante do gol jazia preso entre as ferragens retorcidas. A minha sobrinha se feriu quando bateu o rosto no banco da frente causando um leve corte na face, pois ela estava usando o cinto de segurança mas estava deitada dormindo. Após o choque acionei ré e tirei o carro daquele local imediatamente pois temia um engavetamento. Minha esposa desceu e foi ver o ocupante do gol que sangrava e gemia de dor. Tentou ajudá-lo conversando e retirando algumas peças que estavam em cima dele. Depois se dirigiu á carreta onde o motorista gritava desesperado procurando não se sabe o que. Conversou com ele e o acalmou deixando ali, e até que chegasse o resgate. 







Com mais calma verificamos porque o acidente aconteceu. O santana que puxava um reboque(Carretinha) deu "L" ao fazer a curva, então o reboque ocupou a pista contraria indo chocar-se com a carreta que passou por cima e se descontrolou vindo para a faixa onde trafegava o gol. Se lá atráz eu não tivesse me atrazado e distanciado desse carro, estaríamos tambem envolvidos no acidente. Por isso agradeço ao Supremo Criador por nos ter enviado um anjo que segurou meu volante na direção daquele canteiro, me fazendo perder aqueles preciosos cento e vinte segundos.


Depois de encaminharem o rapaz de gol ao Pronto socorro de Araxá, uma outra ambulancia de Campos Altos foi solicitada para levar minha sobrinha até o hospital onde ficou em observação por quatro horas. Enquanto isso procurei uma assistencia mecânica para meu carro que estava com uma trinca no radiador. Ali, enquanto esperava o conserto fiquei sabendo de uma história bem escabrosa.


ÓLEO DIESEL NA PISTA: VERDADE OU MENTIRA?

Contaram-me que na cidade houve rumores que alguem derramava óleo diesel naquele local para provocar acidentes e assim lhe render serviços. Fiquei boquiaberto e até revoltado com aquela história e comparando os acontecimentos cheguei a conclusão que certamente poderia ser verdade. A pista naquele local é extremamente escorregadia, mais que em outros pontos. Se for verdade algo tão tenebroso, isso precisa ser investigado.
É um absurdo, como pode haver pessoas com tamanha frieza?!

Após minha sobrinha ser liberada com a afirmativa dos médicos que ela estava bem, continuamos nossa viagem á Uberlandia. Mas antes subimos a parte alta de Campos Altos em direção ao Santuário de N.S. Aparecida, queríamos agradecer tudo que nos foi reservado naquele dia. Apesar do choque, não houve nada de mais sério com nenhum de nós.




UM ENVIADO DE DEUS

Sempre que saímos em viagem oramos pedindo uma viagem tranquila, e tenho certeza absoluta que o que nos salvou desse acidente foi a intercessão de uma força que ser humano nenhum explicará. Porque meus braços paralisaram no volante me levando a subir e parar naquele canteiro? Eu percebi que tinha tempo para uma reação e não o fiz! Alguma força misteriosa agiu ali, e agiu para o bem de todos que estavam á bordo, impedindo que nos envolvêssemos diretamente naquele sinistro.



É caros leitores!... entre o céu e a terra, há misterios que nossa limitada percepção jamais conceberá!

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Essa postagem é um caso verídico, escrito e ilustrado por Joel Di Oliveira.Todos os direitos reservados.

domingo, 15 de novembro de 2015

O FANTASMA DE PALHA / DA SÉRIE CONTOS VERÍDICOS.


Como já contei em outras postagens, meu pai depois que adquiriu aquele comercio ali no Brejinho na década de sessenta se dera bem, aquele primeiro ano estava sendo muito lucrativo.
O estoque crescia e cada vez mais ele mostrava que tinha jeito para o negócio, teve até que construir um paiol para armazenar mercadorias. Além do caminhão leiteiro que transitava naquela estrada apanhando leite nas fazendas, tinha também a jardineira, esta fazia o transporte de passageiros de Bambui até o povoado de Medeiros, passando pelas comunidades existentes às margens da estrada, e a “Venda do Tião” era parada obrigatória para se tomar um café ou mesmo para comprar alguma mercadoria. O negócio cresceu tanto que minha mãe tinha que se desdobrar para dar conta de fazer quitandas para a vitrine. Fazia doce de amendoim, de leite, bolos de fubá, biscoitos, e meu pai não deixava faltar o xarope de groselha. Os rapazes gostavam de beber o preparado com as quitandas. Fora os engarrafados quase tudo era vendido no pêso, sal, açúcar, feijão, fubá e farinha, e embalados em saquinhos de papel. Eu já estava me acostumando com aquele movimento da venda. Nos primeiros dias eu me sentia um pouco acanhado, pois ainda chegavam pessoas de todos os lugares. Principalmente quando da parada da jardineira. Mas o tempo foi passando e com as brincadeiras dos fregueses eu fui me soltando. Logo já tinha intimidade com quase todos eles. O que me fazia falta era alguém da minha idade para brincar. Lá nas Vargens tinha os meninos do meu tio Tóinzinho, mas aqui, até então, eu só me divertia sozinho pelos arredores.  


Certo dia minha mãe precisou que lhe fizesse compania para ir até a fazenda do Chico Resende buscar fubá. Adorei a idéia, pois até então, desde que chegara ali, não tinha saído para lugar algum. Então, pegamos um saco de aniagem com uns vinte quilos de milho em grãos e saímos pela estrada afora. O sol estava à pino, fazia um calor danado, e depois de caminhar um bom pedaço paramos debaixo de uma árvore. O chão coberto pela sombra, era um convite para deitar sobre a grama fresca. E foi o que eu fiz, mas foi um erro, onde eu estava me deitando tinha uma cobra verdinha se confundindo com a cor da grama. Fiquei imóvel até que ela passasse por debaixo de minhas costas, pois se fizesse qualquer movimento, ela certamente me picaria. Imóvel e evitando apertá-la sobre a grama deixei que o réptil se distanciasse um pouco e saltei como um cabrito para o lado.
Foi uma experiência terrível para mim, depois desse incidente, qualquer folhinha que me encostava já era o bastante para sair pulando. Recobrado do susto reiniciamos a caminhada, e agora eu não queria mais saber de deitar em sombra alguma. Na fazenda nos recebeu o Sô Antenor, o bom velhinho que me presenteava com uma cana kayana toda vêz que ia a venda comprar víveres. Veio nos encontrar todo sorridente, era raro receber visitas reclamava. Comentou com minha mãe que se sentia muito só depois que sua mulher falecera, e também por não lhe ter deixado filhos. Ela tinha útero seco, não podia criar. Enquanto ele saiu para preparar o fubá, eu pude observar o mecanismo daquela jeringonça que moía o milho.

Era muito engraçado, tinha um côcho que se enchia com água até adquirir o peso necessário para desarmar o pilão sobre um reservatorio onde se colocava o milho. Aí ele socava os grãos até virar um pó fininho. Apanhamos o fubá e nos despedimos do senhor Antenor, reiniciando a caminhada de volta. Tínhamos uma boa subida para enfrentar, mas valia a pena. Lá do alto, a vista era deslumbrante, dava para ver o grande lago em toda sua extensão.


Retomamos o fôlego e reiniciamos o retorno para casa. Agora eu me mantinha mais perto de minha mãe, pois o matagal era denso e metia um certo medo. Lembrava-me dos personagens das histórias do meu avô, fiquei com receio que o curupira aparecesse. Certa parte do caminho notei que minha mãe segurou minha mão e apressou mais o passo. Não entendi bem por que, mas tive que correr para acompanhá-la. Então, ao olhar lá para o mato eu vi algo que me deixou de cabelos em pé. Uma figura estranha com uma vestimenta de palha saiu de traz de um tronco, observando-nos atentamente.

Agora eu entendia porque minha mãe passou a andar mais depressa. Andar não, logo já estavamos em disparada pela estrada afora. Apavorado, fiquei me perguntando o que seria aquilo, lembrei-me que meu avô falou certa vez de um índio da tribo que meu bisavô atacara, e que em suas andanças pelas matas já se deparara com aquele personagem. Pensei comigo, talvez aquela visão fosse a alma de um antepassado de minha bisavó. Após corrermos feito malucos sem coragem de olhar para tráz, avistamos nossa casa. Minha mãe narrou o fato ao meu pai, mas ele achou que era invenção nossa; disse que era coisa de nossas cabeças. Deu boas risadas e frisou; vê se assombração vai aparecer com o sol quente. Minha mãe olhou para mim e piscou o olho, deixando o assunto de lado. Mas nós sabíamos que realmente tínhamos visto algo estranho, e para mim, aquela aparição seria de agora em diante, mais um personagem a existir naquelas matas do Brejinho. A noite, quando fui dormir, fiquei pensando no fantasma de palha, estava encucado com aquela aparição. Comecei lembrar que meu avô Luíz contou que quando o bisavô Fortunato capturou minha bisavó Jaçanã ele atacou um grupo de indios. Seria esta visão o espírito de um irmão ou talvez do pai de minha bisavó!? Se esta conclusão estivesse certa explicaria porque ele não nos atacou lá na estrada, limitando-se apenas a nos observar.
Estas perguntas me acompanham até hoje. e por mais que eu busque respostas acho que nunca as terei. O que posso afirmar é que entre o céu e a terra existem mistérios que jamais nossa vâ filosofia poderá conceber. Outra teoria é que, acontecendo em tempo real existe bem diante de nossos narizes uma dimensão paralela que vez por outra sem querer acionamos em nós forças que nos possibilitam breves portais de visualização. Mas ainda engatinhamos no conhecimento dessa força, e talvez por determinação do Supremo Criador ainda não estejamos prontos para viver essa realidade. São conjucturas que passam por nossas mentes, talvez a vontade de conhecer ou repudiar o medo do desconhecido.

Venda do Tião / 1957 - 1962 - Brejinho, municipio de Bambui Minas Gerais.

O Fantasma de palha é um conto verídico, escrito e ilustrado por Joel Di Oliveira. Todos os direitos reservados.