quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A ESTRANHA DAMA

Era um domingo de manhã, aproximadamente nove trinta ou dez horas. O sol brilhante prometia um ótimo dia ás margens da represa. De posse de todos os apetrechos nos dirigimos á saída da cidade, tomando a estrada de terra que corta a antiga propriedade da fazenda Buritís, agora dividida em glebas menores. Ao fundo, margeando o rio Araguari(ou rio das Velhas) ficam as chácaras Buritís, definitivamente a antiga fazenda fora tomada de seu verdadeiro reino. Os antigos donos certamente tiveram aqui épocas de bonança e vida boa, e também como todos nós, bons e maus momentos, pois a vida assim é. De passageiros no meu Chevette eu tinha minha esposa e minha cunhada, as duas, tagarelavam pondo os assuntos em dia. Eu fazia ouvir e prestar atenção á estrada. O caminho era agradável e permitia-nos lindas paisagens até que escutei um  comentário de minha cunhada se referindo a uma estranha mulher à beira da estrada.
Ouvi ela perguntando á minha esposa se tinha visto e minha esposa disse que não, eu também me esforcei mas nada vi também. Segundo ela, era uma linda mulher de vestido longo e portava sobre a cabeça um véu e um chapéu branco, como as antigas damas da época colonial. Como eu nada tinha visto não dei importância e continuei a dirigir, mas notei que minha cunhada ficou cismada. Mais tarde, já na chácara, voltamos a falar do assunto e minha cunhada já mais a vontade, explicou direitinho a indumentária da moça que viu as margens da estrada. Concluí que era impossível existir pessoas por ali que se vestissem daquela maneira em pleno ano de 2011, poderia até concordar se estivessem gravando cenas de um filme, mas definitivamente não era isso, pois salientou minha cunhada, que ela estava sozinha, inerte em seu cavalo branco, apenas observou tristemente nossa passagem. Hoje, com mais calma, penso que minha cunhada tenha visto o fantasma de alguma mulher que viveu por ali em outros tempos. Alguma pessoa que morreu com pendências, amores mal resolvidos ou mesmo que tenha cometido algum crime ainda em vida. Seres assim não ganham a salvação dos céus e quando percebem alguém que possua força espiritual acreditam ser a chance de redenção para seus pecados.
Percorro essa estrada quase que semanalmente em minha moto, e acreditem, sempre observo bem os campos em volta, mas nunca tive a chance de ver essa estranha dama em seu cavalo branco, certamente não tenho o dom espiritual que teve minha cunhada. É uma estranha história, e conhecendo-a como conheço, sei que o que relatou é verdadeiro. Acredito piamente em suas palavras, e sua visão sempre será para mim, um grande enigma. Experimente você fazer esse trajeto, talvêz tenha mais sorte que eu e consiga contato com a linda mulher, e assim desvendar o mistério de sua estranha aparição.
Esse fato se passou recentemente com pessoas de meu conhecimento, e como regra do site, nomes não foram revelados. Uso para concordancia verbal, a primeira pessoa no texto. O Editor.