quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A ÁRVORE



Os fenômenos que passo a lhes relatar se desenrolaram há pouco tempo bem próximo daqui numa estrada viscinal que leva às terras da antiga fazenda Buritis. Pode ser um relato banal para alguem com menos sensibilidade para o que acontece ao seu  redor. Mas naquele dia quando eu acompanhava minha esposa e netos algo fora do comum pode ter acontecido. Entre uma parada e outra para apreciar a paisagem presenciamos um estranho comportamento do meu neto de três anos.

Ryan é um garotinho bastante esperto para a sua idade, surpreende a família com suas ações e ali ele notou algo que nenhum de nós conseguimos perceber. Dizem que crianças em tenra idade conseguem ver coisas que nós adultos não conseguimos, isso, concluem os estudiosos do assunto, que é devido a sua inocencia diante dos enigmas que nos cercam. Existem relatos de que não só os bebês e crianças de pouca idade podem sentir e ver manifestações; nossos animais de estimação também detectam presenças negativas ou positivas em alguns locais ou mesmo onde habitamos. Aquela linda árvore com seus frondosos galhos rentes ao chão possibilitava naquele momento uma boa brincadeira de balanço, e quando o garoto Ryan com a ajuda de sua avó foi erguido em um dos galhos para que se balançasse, ele em tom muito sério disse:

--Vovó, não quero subir, a árvore está com o olho ruim!
--Não está não, venha para se balançar, veja é muito bom!? 
Respondeu miha esposa sem perceber a profundidade da observação do pequeno Ryan.
E novamente insistiu a criança:

--Vovó, eu não quero balançar, a árvore está com o olho ruim, veja o olho dela!...

O garotinho com o semblante sério puxou a avó pelas mãos e deu a volta ao tronco da imensa árvore, e então minha esposa pode vislumbrar incrustado nas grossas cascas o formato perfeito de um grande olho.


Minha esposa  repentinamente sentiu um arrepio, e sem mais delongas tomou as mãos das crianças e entrou no carro. Por ser sensitiva compreendeu naquele instante que algo estranho poderia estar acontecendo. 
Lembramos mais tarde quando nos dispusemos a falar sobre o acontecido de um outro dia quando colhíamos mangas próximo dali. Nesse dia minha sogra estava com a gente e algo muito estranho também acontecera. Minha esposa estava junto de sua mãe tentando apanhar alguns frutos e começou a ouvir uma vóz chamando:

--Oi, oi, oi!
Comentou com minha sogra que poderia ser algum sapo escondido debaixo de algum tronco, mas procuraram e nada acharam, e o chamado continuou, até que minha sogra foi empurrada chegando a cair no chão. Disse ao se levantar:

__Porque você está me empurrando?!
__Eu não a empurrei mãe!...
Respondeu minha esposa rindo.

O chamado continuou insistente, e repentinamente quem foi empurrada foi minha esposa. Compreendeu naquele momento que ali tinha algo estranho. Chamou sua mãe e pediu a ela que rezasse com ela três Pais Nossos e Três Ave- Marias na intenção de qualquer alma ou espírito que estivesse preso ali. Logo a vóz silenciou, e apreensivos deixamos o local. Naquele ano ninguem conseguira comer siquer um fruto daquela árvore, todos estavam podres e cheios de larvas. Mas graças  à Deus, para nosso deleite, no ano seguinte quando ali retornamos colhemos frutos sadios e doces, e nunca mais se escutou o triste chamado.

Talvez não acreditem, mas, entre o céu e a terra há mistérios que nossa vã filosofia jamais poderá conceber. Preso ás amarras por um desfecho inesperado da vida que tivera, talvez estivesse ali a alma de um ser humano esperando pela ajuda de alguem que o libertasse. E ali, naquela árvore foi certamente onde teve o último contato com a vida, por isso ali teve que esperar no "TEMPO DE DEUS" pela sensibilidade e orações de quem por ali passasse. E no caso de Ryan, o ponto de vista que teve daquela marca quase perfeita de um olho no tronco da árvore seja apenas a queda de um de seus galhos fazendo com que ficasse parecido com um olho. Mas, será!?

Obs: Os nomes das pessoas que viveram esses fenômenos não foram revelados, bem como o nome do garotinho foi mudado, e usa-se a primeira pessoa para facilitar a textuação. Todos os direitos reservados.

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