sábado, 28 de julho de 2012

A ESSÊNCIA DO SER





Naquela sexta-feira não fui almoçar em casa devido a grande quantidade de entregas que eu tinha que efetuar. E como se não bastasse os endereços que eu tinha que ir me levavam de um canto a outro da cidade. Realmente eu tinha que correr para dar conta de todo o trabalho, daí que se eu ganhasse o tempo de meu almoço seria um bom adianto. Então passando próximo a uma pastelaria comprei cinco pastéizinhos e dois empadões, isso daqueles empadões bem grandes. No trajeto para o caixa aproveitei e peguei num dos freezers uma garrafa de refrigerante de 600 ml, para mim tava de bom tamanho. Corri para a Kia 2500 e imprimi velocidade média enquanto ia degustando  os salgadinhos, estavam uma delícia, talvez fosse mesmo  o voráz apetite que me consumia pois já passava das horas. Num cruzamento esperei o sinal abrir e tomei a rua Uirapurú, via de trãnsito calmo em direção aos condomínios Barcelona e Roma, tinha ali duas entregas para clientes que não admitíam atrasos. Mas naquele trajeto, enquanto comia os meus salgadinhos eu me deparei com uma cena de fazer qualquer filho de Deus se irritar com a espécie humana. Digo isso porque era uma senhora que beirava os sessenta anos arrastando uma carroça entulhada de recicláveis.


Tudo bem que pode se dizer que material reciclável é leve mas não para aquela senhora naquela idade. Meu coração encolheu-se de pena daquela mulher, pensei, não teria ela filhos que pudessem mantê-la, livrá-la daquela penúria?!
Aliviei o pé do acelerador e pude observar sua feição sofrida e cansada e certamente ainda não se alimentara, deveria vender primeiro aqueles recicláveis para ter algum dinheiro para  comprar algum alimento. não pensei duas vêzes apanhei o último empadão e buzinei chamando sua atenção. Ela veio rápido apesar do cansaço, perguntei se gostaria de comer um salgadinho ao que me respondeu com expressão alegre dizendo que sim. Apanhou agradecendo em nome de Deus e retornou a sua carroça comendo apressadamente o alimento, certamente ainda não tinha comido nada naquele dia. Tenham certeza absoluta, quando vi aquela senhora devorar vorázmente aquela empada com satisfação eu me senti tirando dos meus ombros uma imensa carga, era como se todos os meus pecados estivessem sendo redimidos. Que sensação mais boa me invadiu naquele instante, eu estava alimentado e com parte do meu pão pude ainda amenizar a fome que sentia aquele pobre ser humano, que certamente passara em frente a pastelaria sem ter condição de comprar siquer um pastelzinho. Até então eu ouvira falar de compartilhar o pão somente nas escrituras sagradas, eu mesmo nunca quiz repartir o pouco que tenho com ninguem, mas creiam, é uma sensação magnífica. Se pensas que por ter pouco te fará falta o que deres está redondamente enganado, ao contrario, a sensação de ter feito uma boa ação te compensa imensamente sua exixtencia. Bom seria se pensássemos assim todos nós, fazer o milagre do pão em todo lugar que falte o alimento, nas favelas do Brasil, nos países áfricanos, em todo o mundo. Confesso que ate então jamais pensara assim e nem dava muita importancia ás fotos daquelas pessoas esqueléticas e desnutridas que via nas reportagens, achava que era problema dos governantes. Mas está aí o problema, nós somos os governantes, só que não sabemos administrar com alma, somos gananciosos, ignorantes e mesquinhos, esquecemos que somos todos irmãos filhos de um só pai, o Supremo Criador de tudo que há na terra. Tudo que faltar ao meu irmão, certamente no futuro refletitá de forma negativa em minha vida, esse é o ensinamento que está nas escrituras sagradas.Não custa nada repartir alguma coisa, não precisa fazê-lo todos os dias se não quizer, somos muitos na face do planeta, cada um fazendo um pouquinho a cada dia contribuiremos para um mundo melhor.
Eu me senti estranhamente bem ao oferecer para aquela pobre mulher uma simples empada, que nunca me fará falta, mas que serviu para amenizar a fome que sentia naquele dia.


Agradeço a Deus por me ter feito experimentar essa fantástica sensação de humanidade e peço novamente a ELE, mesmo que eu resista, faça de mim um instrumento de seus mandamentos. O que deve contar nos corações dos seres humanos é a intenção de partilha, pois somente assim seremos banhados pela  magnífica paz interior que eu senti naquele dia. Palavras de uma pessoa que compartilhou, mesmo o pouco que tinha.
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