sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O MISTÉRIO DAS LUZES



Antes de me meter à escrever nestas páginas, eu era um caminhoneiro. Como tal, sem fugir as regras da profissão, também sofria nas estradas como todos os meus colegas. A carga tinha dia e hora marcada, e com ou sem problemas mecânicos, intempéries ou qualquer empecilho a mercadoria tinha que chegar ao seu destino.
Orla marítima em Salvador/ Bahia
Foram bons e divertidos oito anos, nos quais minha esposa me acompanhou. E nestas viagens, quase sempre à noite, estranhamente víamos uma lúz nos acompanhando. Posso definir tal luz como uma bola de aproximadamente trinta ou quarenta centímetros de diâmetro extremamente luminosa. O clarão que ela irradia ilumina vários metros ao seu redor, e parece ter vida própria. Seus movimentos são mecânicos, indo e vindo num curto espaço e às vêzes enpreendendo uma direção calculada. A lúz nunca se aproximou de nós mais do que trinta metros. Quando ela aparecia minha esposa sempre a via primeiro e me mostrava em seguida. Não sentíamos medo, sabíamos que era algo estranho mas já a tínhamos visto tantas vezes que aquele fenômeno tornara-se comum para nós.
Certa vêz, em visita ao meu pai que é um lavrador de mão cheia, diga-se de passagem, tivemos um contato bem próximo com essas fantásticas luzes. O velho tinha ido à cidade e ficamos eu, minha esposa e as crianças no rancho construído em meio à lavoura de café. Eram mais ou menos umas oito horas da noite quando tivemos que apanhar lenha para o fogão. Ao saírmos nos deparamos com uma lúz pairando acima de uma árvore de óleo que ficava à uns quarenta metros abaixo. Era tão forte o seu clarão que que todo o local ao redor da árvore ficou iluminado. Ficamos por um bom tempo observando-a, e depois, com um pouco de receio entramos e fechamos a porta. Minutos depois, curiosos, resolvemos olhar novamente, mas ela já havia desaparecido. Lembro-me de outra vez quando estávamos retornando da casa da tia Nica, uma bondosa senhora tia de minha esposa que morava também naquela zona rural. Era bem tarde da noite e no veículo estava eu, minha esposa, minha mãe e um de meus filhos. A estrada de terra batida e bastante esburacada obrigava-me a manter uma velocidade bem baixa. De repente minha esposa notou um clarão bem acima de nós e logo a luz foi para o lado direito mantendo a mesma velocidade do veículo. Minha mãe ficou apavorada com aquilo mas tratamos logo de acalmá-la. A luz nos acompanhou por uma boa distancia até que chegou numa curva onde tinha um cruzeiro, desses que eles fincam em lugares onde alguém morreu. Ali, num rodopio fantasmagórico esmaeceu até desaparecer no solo. O restante do percurso até a cidade de Bambui foi tranquilo.

O que me encucava era que esta luz nunca nos atacou ou se aproximou de nós por mais de vinte, trinta ou cinquenta metros. Lembro-me perfeitamente do primeiro contato que eu tive quando eu ainda era um meninote com doze ou treze anos. 
Estava um dia bastante ensolarado e mesmo assim a molecada jogava uma peladinha na pracinha. Como sempre muitas pessoas assistiam a brincadeira, dentre eles o Chico Branco, o Lazão e várias pessoas do bairro. De repente alguém chamou a atenção para uma enorme bola de luz passando bem devagar há poucos metros acima de nós. Era fantástica a sua luminosidade e todos que estavam naquela praça ficaram boquiabertos. Passado o instante de surpresa alguns mais próximos tentaram pegá-la. Repentinamente a rua ficou infestada de gente correndo atráz, mas a fantástica bola de luz se manteve numa altura que ninguém a alcançava. Eu também corri atráz e esperto como um gato passei na frente de todos. A luz continuou rua afora numa velocidade mediana. No final da rua, abaixo das goiabeiras da Pampa vi que ela se deteve e ficou flutuando à pouco mais de dois metros de altura. Era a chance que eu precisava, como que impulsionado por uma mola saltei em direção a ela espichando ao máximo o braço, mas ela, num movimento rápido que me pareceu bastante mecânico, se desvencilhou inteligentemente. 

Goiabeiras da Pampa / arredores de Bambuí-Mg / 1970
Após escapar de minhas mãos ela se afastou rapidamente em direção ao campo que circundava o bairro. Deu a volta pelo sítio do Irê Torres e desceu sobrevoando as caieiras do Mané Santana. Depois, assumindo velocidade maior passou sobre a chácara do Pedro Manteiga e sumiu lá para as bandas do rio. Este fenômeno foi assunto na pequena cidade por muito tempo, e os mais velhos, baseados nas histórias que já tinham escutado, afirmaram categoricamente ser uma tal mãe do ouro. Esse, como já disse, foi o primeiro contato que eu tive com esta lúz.

CONTATOS RECENTES 

Recentemente quando retornávamos de uma excursão às pregações do Padre Marcelo em São Paulo fui novamente agraciado com esta bela visão, e desta vez eram duas. Já era bem tarde da madrugada, todos no ônibus dormiam em suas poltronas, inclusive minha esposa que estava ao meu lado. Eu como estava sem sono resolvi ficar olhando pela janela e foi quando numa descida para o rio próximo a divisa com Minas eu vi duas luzes se movimentando às margens do rio. Pensei serem pescadores com lampiões mas quando o ônibus se aproximou ficando à uns trinta metros vi que não era. As luzes estavam suspensas e se movimentavam sozinhas indo e vindo num espaço curto de vegetação. Uma delas era de menor intensidade. Pude vê-las claramente visto que suas luminosidades clareavam intensamente tudo à sua volta. Extasiado nem lembrei de acordar minha esposa para ver tão explêndida apresentação. Quando o ônibus foi passando as duas fantásticas tochas num esboço de fuga empreenderam um rasante por detráz do ônibus. Neste ângulo já não pude mais vê-las. Estranhamente me senti feliz por ter tido aquela visão. Eu não sei ao certo o que estas luzes são mas que tem alguma coisa relacionado a algo desconhecido para a compreensão humana isto eu tenho certeza. A única informação que eu tenho é que se trata da mãe do ouro, mas será mesmo? Porque em algumas aparições essa lúz rodopia em torno dos troncos das árvores e desaparece no solo? Noutras vezes tremula ao redor de uma cruz até esmaecer seu clarão. O seus movimentos calculados dão-me a impressão de que existe algo ou alguém manipulando seu curso. E hoje, depois de tanto tempo estas perguntas ainda estão sem respostas. O retorno continuou tranquilo como antes e já em Uberaba no estado de Minas Gerais o motorista parou num posto para um breve descanso. Encoragei-me e resolvi perguntar a ele se tinha visto as luzes, e ele, esboçando indiferença me respondeu não ter visto nada. Não insisti e nem perguntei aos outros passageiros pois temi que me considerassem maluco. Com certeza eu fui mesmo o único a testemunhar o incrível fenômeno. Naquela noite eu cheguei em casa com uma ótima sensação de alívio por ter assistido as celebrações do padre Marcelo. Mas o fato de ter sido o único no ônibus a ter a visão das luzes me dava a certeza que eu fosse talvêz um privilegiado.

BR 153 retorno de Belém do Pará.
Não somente por esta vez, mas percebi que de tempos em tempos, lá estavam aquelas luzes a me exibirem suas estranhas coreografias. No meu entendimento, acho que essas luzes nada tem à ver com mãe do ouro, como denominam as pessoas mais idosas, que talvêz baseadas em crenças antigas tentam explicar esse fenômeno. Prefiro acreditar que são uma raça alienígena inteligentíssima, que como nós, também habita esse maravilhoso e desconhecido universo. 
Ainda não se mostraram definitivamente á nós porque sabem que ainda não estamos preparados. Certamente num futuro não muito distante teremos chance de conhecer essas criaturinhas em suas fantásticas naves luminosas.

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