quarta-feira, 26 de outubro de 2011

SÃO LONGUINHO



Já estava fazendo uma semana sem postar nada neste blog, então de posse do rascunho que tinha feito no dia anterior me sentei em frente ao PC, liguei e instintivamente procurei meus óculos. Prá minha surpresa e decepção, o importante artefato não estava ali onde sempre o deixava. Uso a tal peça para ler e escrever somente, pois tenho boa visão para alem de um metro de distancia. Posso até ler ou escrever sem eles, mas certamente terei algum trabalho, pois as letrinhas começam a se sobreporem e até criarem um bonito efeito de celofane. Então me dispus a procurá-lo pela casa, na estante, em cima da televisão, dentro do sofá e na geladeira. Procurei no cesto de roupa suja e nada. Virei a casa de pernas pro ar, e já desesperado liguei no serviço de minha esposa, na esperança dela ter pegado ele por engano pensando que fosse o seu, mas ela disse não estar com ela. Pronto, agora eu tinha me danado mesmo, pois no dia seguinte ainda teria que prestar os exames de psicotécnico para renovação de habilitação, eu estava definitivamente ferrado. Preocupado, dei mais uma boa procurada pela casa e novamente nada achei. Não sobrou lugar nenhum que não procurasse, voltei até ao local em que estivera no dia anterior executando um serviço. A dona da casa se dispôs até me levar até o local da obra, mas também não havia sido ali que eu perdera meus óculos. Decepcionado e até nervoso me lembrei que ao ligar para minha esposa ela me falara para invocar por São Longuinho, explicou ela que ele era o santo que ajudava a achar as coisas perdidas. Restava-me então apelar para o santo, o fiz com bastante fé, pois era só o que me restava. Acreditem se quiserem, após repetir em voz alta o pedido me dediquei novamente a procurar nos mesmos locais onde já tinha estado, e incrivelmente me veio uma vontade imensa de procurar no cesto de roupas sujas novamente, olhei nos bolsos de uma calça jeans não estava, então apanhei a camisa de malha que estava embaixo e ao apalpá-la lá estava ele. Pessoal, não levou dois minutos após o pedido eu achei meus óculos. O santo é porreta mesmo, mas após achar o que procura tem que cumprir com a promessa, que é simplesmente dar três pulinhos e três vivas para São Longuinho.

Satisfeito e mais calmo me dispus a pensar na importância de São Longuinho, pesquisei alguns sites e li que ele não foi exatamente canonizado pela igreja católica, mas desde os primórdios tem grande adoração por milhares de fieis em vários países. Um grande santuário em Portugal exibe a sua estátua, e também uma igreja em Guararema, interior de São Paulo possui sua imagem. Em sua estátua e imagem ele sempre porta uma grande lança. Explica os historiadores que seu nome origina-se do grego “LONKHE” que quer dizer lança. Seu nome de batismo é Cassio, e historiadores dizem que São Longuinho foi um dos centuriões romanos que guardaram a crucificação de Jesús Cristo. Aguardava-se um tempo para que os crucificados morressem de inanição e para comprovarem se estavam mortos os centuriões lhes espetavam a lança no abdômem para ouvir seus gemidos, mas ao fazê-lo em Jesús Cristo  levou pelo rosto um jorro do sangue de Jesús. 

O sangue que correu-lhe pelos olhos o curou de um problema que tinha nas vistas, então naquele momento, Cássio se converteu ao cristianismo, abandonando o exército romano e se refugiando na Cesaréia, onde algum tempo depois foi encontrado e decapitado pelos soldados romanos. A bíblia cita no novo testamento trechos da história de São Longuinho”Ver (27:54), Marcos (15:39) e Lucas (23:47).”

ALMA GÊMEA

Posso até não me expressar como deveria, mas serei eternamente um contador de histórias. Adoro conversar com pessoas mais velhas, pois essas já viveram muito e têm interessantes causos para nos relatar, lindos romances que já viveram ou mesmo estranhos desfechos que os levaram a escuridão de um poço sem fundo. Essa é a história de Sinfrônio, um abastado fazendeiro do município de uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Casara-se Sinfrônio com uma linda cabrocha que o amava desesperadamente, tudo fazia a menina para agradá-lo e servi-lo da melhor maneira possível. Dera-lhe lindos filhos e filhas e estes agora entre oito e doze anos de idade. Mas Sinfrônio era impetuoso, aos finais de semana arreava o cavalo e marchava à cidade, onde freqüentava bares para beber com amigos  e ficar com mulheres de vida fácil. Sua esposa ficava em casa cuidando dos filhos e da casa, além do serviço da fazenda tinha muitos animais , porcos, vacas e galinhas. Mas ela era feliz, amava demais seu marido e considerava que ele merecia sair para se divertir e prosear com os amigos.  Mas as armadilhas da vida armou-lhe uma triste decepção, Sinfrônio, numa dessas saídas enrabichou-se por outra mulher, e talvez cegado pelos carinhos da amante acabou por abandonar sua legítima esposa.  Abandonou também os serviços da fazenda, e quando aparecia era para mostrar um pedaço de terra que vendia para apurar dinheiro para bancar os caprichos da amante. Assim de gleba em gleba ele práticamente vendera toda a fazenda, sobrando apenas alguns poucos alqueires que sediavam a casa principal. A amante tomava-lhe todo o dinheiro, e para seu nome comprava na cidade várias casas e bens. Andava bem vestida, coberta de jóias e tinha tudo do melhor. O assunto correu a pequena cidade, e acabou por chegar aos ouvidos de sua fiel esposa, que se mantinha firme em casa cuidando do que lhe restara. Esta, ao saber chorou muito, era o que considerava ser feito, pois talvez na época, não tinham as mulheres, tanta voga na lei dos homens. Restava-lhe apenas aceitar seu triste destino. Mas o tempo passou, e sem mais o que vender para arranjar dinheiro para manter os caprichos da amante, Sinfrônio se viu mal. Esta passou a lhe tratar mal, não lhe fazendo as refeições, e nas brigas, pela falta do dinheiro que ele não lhe arranjava expulsou-o de casa. Sinfrônio se viu na rua, somente com a roupa do corpo, não tinha mais nem os amigos com quem bebia, e então, sujo, maltrapilho e desmoralizado vagou durante anos pelas estradas. Pensou várias vezes em retornar á casa da verdadeira esposa, mas, sentiu vergonha, pelo menos esse sentimento lhe restara. Um certo dia, sua esposa viera à cidade fazer compras, e na calçada diante do bar, o viu caído. Reconhecendo seu marido o levantou e o levou para casa, onde todos os filhos se alegraram com seu retorno. Ele tinha várias feridas pelo corpo e estava adoentado. Feliz e pacientemente sua esposa lavou-lhe os pés e o acomodou em sua cama, a cama que ele abandonara há anos atráz. Em seu retorno não houve briga ou mesmo pedido de satisfações por parte da esposa, tratou-lhe, sua verdadeira mulher, como se nada tivesse acontecido ou mesmo o tempo não tivesse passado. Algum tempo depois, já melhor de saúde, Sinfrônio ainda tentava adaptar-se a sua família, pois os filhos agora moços lhes parecia estranhos, mesmo que o tratassem com tanto carinho. Sua esposa se desdobrava no trabalho, mas agora já tinha a ajuda dos filhos. Esperava pacientemente a recuperação do marido, mas mal sabia ela que o remorso impiedosamente o corroia por dentro. Sinfrônio não conseguia entender que depois de tudo que ele tinha feito, sua esposa ainda o amasse tanto. Então era mês de outubro, o canto das cigarras no matagal  não foi capaz de cobrir o som do estampido de um tiro. Correram esposa e filhos ao quarto e se depararam com a terrível cena. Sinfrônio estava caído ao chão, e apontado para sua cabeça tinha um revolver ainda fumegante. O remorso que sentiu ao retornar ao lar, o fez ver quem eram seus verdadeiros amores. Ele compreendeu que não merecia sua esposa, sua verdadeira alma gêmea. O que fizera não tinha conserto nessa vida; talvez pudesse reparar tudo em outra dimensão.

Esse conto é verdadeiro, os nomes dos envolvidos, época e mesmo o local em que se passou o fato não puderam serem revelados por respeito aos mesmos. Qualquer caso semelhante a esse é mera coincidencia.

domingo, 9 de outubro de 2011

PIEDADE DOS GERAIS, O VALE DOS ABENÇOADOS!

Os relatos que se seguem podem ser considerados um grande enígma de Deus. As abençoadas pessoas de uma fazenda denominada Barro vermelho localizada perto do pequeno povoado de Piedade dos Gerais-Mg, tiveram o privilegio de viverem esse acontecimento. A princípio, o fenômeno pareceu às crianças que primeiramente testemunharam tal fato, algo assombroso, fantasmagórico e mesmo fora do comum para a vida rotineira do lugarejo.
Mas com a continuação das aparições, tiveram a certeza que algo muito grandioso estava acontecendo ali. Com grande clareza, traduziram as crianças o aparecimento de Nossa Senhora, a mãe de todos os filhos de Deus. Assim o souberam e puderam afirmar pela figura da linda mulher que viram flutuando acima das copas das arvores. Tinha o olhar sereno e transmitia muita paz trazendo ao colo uma criança. Cobrindo-lhe a cabeça, um véu de cor alva, detalhe considerado símbolo da imaculada mãe de Jesus Cristo. Com uma mão sobre o coração, chamava com a outra as crianças para perto de si, falando-lhes palavras de amor, paz e devoção à Deus. Não tiveram dúvidas, era mesmo Nossa Senhora. Eu sou católico apostólico romano, e portanto, temente aos ensinamentos da palavra de Deus. Respeito todos os seguimentos religiosos que nos direcione ao Supremo Criador, pois creio não importar o caminho e sim, o que está no final da estrada. E com esta  postagem, espero tambem contribuir com a propagação das palavras de Nossa Senhora.
Abaixo, trechos transcritos do site oficial:
A PRIMEIRA APARIÇÃO

            Era uma linda tarde de sábado, 19 de setembro de 1987. Iniciava-se a primavera e um novo tempo de revelações e bênçãos celestiais.
Na tranqüila Fazenda Barro Vermelho, onde viviam o Sr. Antônio, sua esposa Maria José (D. Tilica), e seus 7 filhos: Irene (Noca), Geraldo (Ladinho), Irenize (Nizinha), Marilda, Euclides (Digão), Juliana e Antônio Augusto (Toninho). Tudo transcorria costumeiramente normal.
Os filhos mais velhos trabalhavam, e os mais novos brincavam juntamente com os primos: Íris, José Mário, Inezinha e Fabiana.
Euclides e José Mário haviam saído para pescar.
Por volta das 14:30hs, a Marilda, a Íris, a Inezinha e a Fabiana estavam brincando num valo próximo à casa cercado de gigantescas árvores, que exibiam cipós de todos os tamanhos.
Elas ouviram fortes badaladas de sinos, e percebendo uma grande mudança no local, que havia se escurecido como para um forte temporal, saíram em direção à casa.
Ao se afastarem do valo, elas viram o sol a brilhar intensamente e chamaram a Juliana, que estava na varanda da casa para ver o que estava acontecendo.
Quando entraram novamente no valo, a Marilda, a Íris e a Juliana se assustaram ao ver, segundo elas, um fantasma flutuando no ar. 

Correram a chamar pelo pai que, com uma foice na mão, percorreu minuciosamente o local sem nada encontrar.
As crianças, ao serem repreendidas pelo Sr. Antônio relataram o seguinte: a sobrinha Íris disse que sua vestimenta era branquinha. Juliana, por sua vez disse que Ela tinha a cabeça branca. E a Marilda viu que seus pés estavam descalços e não tocavam o chão, mas sim uma pequena nuvem como que de algodão. A Fabiana e a Inezinha nada tinham visto.
Orientadas pelo pai, retornaram ao local juntamente com Irenize - uma irmã mais velha - para rezar e pedir a Deus proteção.
Quando iniciaram a oração do Pai Nosso, Juliana, Íris e Marilda exclamaram juntas: “Estou vendo uma linda mulher no céu.” Irenize prostrou-se por terra a dizer: “Eu não vejo porque sou pecadora!”
O Sr. Antônio aproximando-se, tomou Juliana nos braços, que lhe disse: “Ela é linda demais , eu não consigo olhar para Ela sem chorar! O senhor não está vendo porque está cego!”
A mulher neste momento colocou a mão esquerda no coração e com a outra chamava as crianças para si.
Ainda com a Juliana nos braços, o Sr. Antônio tentou se aproximar da mulher que, afastando-se  e elevando-se, sumiu no céu.
No dia seguinte, após ajudar na Santa Missa, o Sr. Antônio. contou o acontecido ao Pároco Frei Joaquim, que dele recebeu a seguinte orientação: “Reze e  deixe que as coisas aconteçam naturalmente. Não conte para ninguém e procure observar se a tal mulher trás consigo um véu, porque o véu é o símbolo da virgindade de Nossa Senhora.
Mas uma das sobrinhas do Sr. Antônio, contou para uma amiga, que contou para uma prima...
A notícia se espalhou por toda redondeza e a rotina da família nunca mais foi a mesma. Muitos fatos extraordinários aconteceram, principalmente nos corações daquela humilde família que, sem saber, se abria para o maior acontecimento de suas vidas.
Marilda Cleonice de Santana, tinha por ocasião desta primeira aparição 12 anos, sua irmã Maria Juliana Xavier de Santana tinha 8 anos e sua prima Íris 10 anos.
Nossa Senhora nada disse nesta primeira aparição, somente chamava com gestos as crianças para o seu coração.

A SEGUNDA APARIÇÃO

            A Fazenda Barro Vermelho tornava-se cenário para maravilhosos acontecimentos após a primeira manifestação da Virgem Maria.
Orante e silenciosa, a família observara os conselhos do pároco Frei Joaquim. Cada qual na sua humildade, nas suas tarefas diárias aguardava a realização do Plano de Deus, sem sequer imaginar a sua grandiosidade.
Nada era igual na fazenda, a natureza parecia festejar. Até o cantar dos pássaros era diferente. Todos notavam.
Estando a família na varanda da casa, Marilda e a Juliana avistaram bem no alto do monte - onde posteriormente veio a ser o local das aparições - Maria Santíssima, com uma vela acesa na mão. Atrás dela havia um cruzeiro luminoso, e muitos carneirinhos em volta.
Ao narrarem essa visão, Sr. Antônio confiante colocou a sua vontade nas mãos de Deus e os dias foram passando.
No sábado seguinte - 26 de setembro de 1987 - veio a D. Terezinha, mãe da Íris, conversar pessoalmente com a família do Sr. Antônio sobre os acontecimentos do sábado anterior.
Enquanto conversavam, Maria Santíssima apareceu sentada no ar com um terço nas mãos e uma linda criancinha em seus braços.
Imediatamente a Marilda, a Juliana e a Íris saíram correndo como se não existisse nenhum obstáculo e chegaram ao local em que se dava a aparição.
Cuidadosamente as três perguntaram: “Quem é a Senhora?”
Maria Santíssima deu um sorriso e disse: “Sou a Mãe de vocês!”
Sem entender o sentido destas palavras, perguntaram novamente: “Qual é o seu nome?”
Neste momento a criança desapareceu de seus braços e com uma varinha prateada escreveu no ar com letras brilhantes: “EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO, A MÃE DE JESUS! SOU NOSSA SENHORA!”
As crianças perguntaram então o que Ela desejava, e aí apareceu em suas mãos uma bola escura. Por cima da bola havia uma cruz brilhante. Depois Ela mostrou uma vela acesa e um buquê de rosas brancas, com uma única rosa vermelha ao centro. Ela pediu que fossem à missa e rezassem muito, e que estivessem naquele local todos os sábados às 14:30 horas.
No principio as mensagens eram escritas no ar pela Virgem Santíssima. A Marilda e a Íris apontando com o dedo iam lendo. Como a Juliana não sabia ler, ela escutava e transmitia a mensagem ao povo juntamente com a irmã Marilda e a prima Íris.
Assim as aparições começaram a acontecer todos os sábados, posteriormente passando também aos domingos, até chegarem a ser diariamente.
Com as mensagens veio a explicação dos símbolos da segunda aparição: A bola negra representa o mundo nas trevas; a cruz brilhante por cima nos lembra que Jesus deu a sua vida por nós; a vela acesa nos diz que somente a Luz de Cristo pode salvar a humanidade. O buquê de rosas brancas com uma rosa vermelha no centro quer dizer que todos têm o mesmo sangue do seu Filho Jesus. A criança nos braços representa todos os filhos de Deus. E o terço, pedido urgente de oração e de conversão.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

COMPANHEIROS ATÉ NA MORTE


A ESTRANHA E FELIZ MORTE DE TONHO BERNADIN
(CASO VERÍDICO –1974- OS NOMES E/OU LOCAIS SÃO FICTÍCIOS PARA RESPEITO E PROTEÇÃO AOS ENVOLVIDOS)

Já estava o matuto meio perrengue há bastante tempo sem fazer termo de morrer. Pai de treze filhos entre eles quatro lindas moças já casadouras, sofria com um mal que lhe consumia dia a dia. A esposa, dedicada a salvar o marido lhe fazia todos os agrados e buscava longe ramos e mandingas que outrens lhe ensinava, pois a medicina na época pouco ajudava. Mesmo porque o lugarejo em que moravam ficava longe de recursos e se os houvesse não tinham dinheiro suficiente para o tratamento. Estava condenado o pobre Tonho Bernadin, que por sua vez, resistia ao mal com imensa paciência e valentia, não deixando transparecer á família a dor e a tristeza que lhe passava pelo coração.
Durante meses se fez romaria pelos tantos amigos e vizinhos que tinham apreço pelo adoentado. Rezou-se novenas, terços mas de nada adiantou, não que não valesse os apelos aos santos apegados, é porque Deus o queria mesmo em outras paragens. Assim, mais uns seis meses de peleja estando sua sofrida esposa coando um café, Tonho Bernadin chamou a ela e os filhos e lhes disse serenamente:
_ Maria, não quero que chores e nem vocês meus filhos, porque chegou a minha hora!
A casa inteira desabou num choro só, e por mais que pedisse o morimbundo para que parassem de nada adiantava.
Sentindo –se responsável pelo sofrimento da família, Tonho Bernadin adiou por mais alguns minutos a sua partida. Tentava de todo jeito negociar um termo para que parassem as lamentações. Com muito custo, os filhos e a esposa se controlaram talvez achando que ele estivesse brincando, pois não se sabe de onde o homem tirava forças para os consolar. Vendo-os mais calmos, Tonho Bernadin novamente disse:
_Maria, venha, deite-se aqui ao meu lado, será a última vez que se deitará comigo!
Sua esposa lhe fez a vontade, meio contrariada mas foi. Os filhos choramingavam pelos cantos, na esperança que ele apenas estivesse brincando, pois jamais se soube que alguém na hora da morte conversasse naqueles termos. Mas estavam enganados, abraçado a esposa Tonho Bernadin deu um suspiro longo e descansou a cabeça no peito da esposa morrendo definitivamente. Por alguns segundos todos se olharam e vendo que ele realmente parara de respirar desabaram novamente no maior dos berreiros. Num é que Tonho Bernadin teve que retornar para lhes acalmar novamente? Abriu lentamente os olhos e reclamou a esposa:
_Maria, meus filhos, parem de chorar! Suas lamentações não me deixam ir!
_ Eu estou atrazado, o compadre Mané tá me esperando na porteira!
E dizendo assim fechou novamente os olhos, e dessa vez, definitivamente.

O filho mais experiente tomou-lhe o pulso e nada sentiu. Morreu Tonho Bernadin como um passarinho, sem dar trabalho ou mesmo sofrer com dores. Morreu conversando normalmente sabendo de todo o desenlace de sua morte.
O compadre Mané?! Esse foi um grande amigo de Bernadin que falecera ha três anos atráz.
Autor: Joel Di Oliveira / Todos os direitos reservados.