domingo, 10 de abril de 2011

FORÇAS SOBRENATURAIS

__A morte terrena de minha mãe e a aparição das luzes tornaram ainda maior a minha certeza de que não estamos sós. Existem dimensões que não nos são palpáveis, e quando necessário seres iluminados que habitam esses mundos recebem permissão para interferir em nossas vidas. Acredito serem enviados de Deus, anjos intermediários entre o homem e um Ser Supremo. E refletindo sobre tais fatos lembrei-me de um causo contado por minha mãe que envolveu ela, meu pai e eu, consequentemente. Aconteceu quando eu tinha apenas quatro anos e estávamos arranchados para a colheita do café lá na fazenda da Gurita, ao sul da cidade de Bambuí, Estado de Minas Gerais. Conta minha mãe que meu pai tinha ido ao povoado comprar mantimentos e pelas horas que tinha saído já deveria ter chegado. Era tarde da noite e ela já estava impaciente por sua demora. Pensou ela que talvez tivesse encontrado com amigos para beber e perdera a hora ou talvez pudesse também estar a vadiar nas casas de mulheres de vida fácil. E para uma mulher ficar sozinha à noite com uma criança certamente não era recomendável. Minha mãe já estava uma pilha de nervos quando ouviu barulho de cascos de cavalo à galope. Era ele, e nem bem soltou o pobre animal, meu pai adentrou cambaleando tentando se segurar na pequena lareira construída sobre troncos. Minha mãe quis tirar satisfações mas ele descontrolado com o falatório enfureceu-se, e repentinamente sacou de um punhal para agredí-la. Eu dormia num pequeno catre improvisado e acordei assustado com o barulho. Em minha inocência eu não entendi bem o que estava acontecendo mas aprontei o maior berreiro que certamente acordou toda a bicharada da floresta. Vi os dois se debatendo no chão e notei que minha mãe começou a fraquejar pois meu pai era um rapagão bastante forte. Desesperada ela clamou aos céus por socorro e naquele instante, como num passe de mágica, meu pai tombou pesadamente no chão. 
Não se sabe se por efeito do álcool ou por intervenção divina. No dia seguinte bem cedo quando minha mãe foi apanhar água no riacho, inexplicavelmente viu o punhal fincado na areia da praia.  Como ele foi parar ali ela nunca soube. E meu pai, sem que ninguém lhe obrigasse ou pedisse nunca mais ingeriu bebidas alcoólicas, tornando-se um exemplo dentro de casa. Alguma força agiu naquele momento em que minha mãe clamou por ajuda, fazendo com que ele desmaiasse e o punhal desaparecesse de suas mãos. E esta mesma força age na vida de cada um de nós, basta ter sensibilidade bastante para acreditar. Por sermos demasiadamente materialistas sempre achamos que tudo que acontece é  coincidência. Mas não é, chegará o tempo em que o homem compreenderá todos os mistérios que regem a existência na terra.